Antonio Hugo

Ser romântico, é ter a certeza, de que vale a pena amar; amar a todos, e a tudo o que for bom.

Textos










“FÉRIAS NO SÍTIO”.

      (Micro conto).

 

Depois de quase dois anos trabalhando de segunda a sábado, finalmente a tão sonhada férias! Agora era fazer as malas e cair fora para o interior, mais precisamente para o sítio da família; e lá ficar de papo pro ar. Pescar, tomar banho de cachoeira, andar a cavalo, comer frutas fresquinhas colhidas do pé.

Chego à rodoviária, compro a passagem, compro uma revista para ler enquanto o ônibus não encosta na plataforma, compro um pacote de cigarros para espantar os mosquitos e pernilongos que é o que bem tem no campo.

O ônibus estaciona na plataforma, então não vejo a hora de rever todo aquele pessoal que há muito eu não via; primos(as), sobrinhos(as), e as irmãs que não nos falávamos fazia algum tempo.

Uma fila é formada, o condutor começa então a conferir os bilhetes de passagem, e pouco a pouco as pessoas começam a se acomodarem nos seus respectivos assentos.

Com a ajuda do cobrador coloco as malas no bagageiro do ônibus, e com uma mochila eu adentro então no ônibus e me acomodo na minha poltrona.

Alguns minutos depois o ônibus começa a se deslocar, e minutos depois já estávamos deslizando uma rodovia com destino ao interior.

Era um dia de sábado ainda me lembro, depois de aproximadamente oito horas de viagem eu vejo aproximar-se o ponto onde eu tenho que descer.

Aproximadamente três e meia da tarde, aperto a campainha pedindo o ponto, logo o motorista para, o cobrador abre o bagageiro e confere os tickets me entregando às bagagens, o ônibus segue o seu destino e eu fico ali parado no acostamento.

- Como faço agora para levar tantas coisas?! Olho para o outro lado da pista e vejo uma casinha velha, pego dois volumes e atravesso a pista, volto para pegar o restante das coisas, e assim vou fazendo até chegar a velha casinha; alguns cachorros vem me encontrar latindo, mas eu com jeito carinhoso faço amizade com eles, que não demora muito já estão abanando o rabo para mim.

Grito então chamando a atenção dos moradores, sai uma senhora e pergunta o que desejo, peço então para guardar algumas coisas que não vai ser possível levá-las de uma vez, eles concordam mandando-me entrar, oferecem-me café que é o costume de todos naquela região, eu não aceito, simplesmente agradeço e prometo vir buscar as coisas no dia seguinte; despeço-me do casal e sigo caminho com o que agüento levar.

Novamente atravesso a pista, pois o meu destino ficava do outro lado, sigo um ramalzinho de terra cascalhada, menos de meia hora já avisto algumas casas do sítio; mais uns vinte minutos eu estaria chegando.

Já era quase lusco-fusco quando cheguei na cabeceira da ponte que atravessa o rio dando acesso ao sítio, não vejo sinal de ninguém; me aproximo da casa grande do sítio onde mora o meu tio, era uma casa rodeada por uma varanda, não tinha cães, eu abro um pequeno portão que dá acesso a varanda, entro e percebo que não havia ninguém em casa, só para me certificar bato com os nós dos dedos na porta, ninguém responde; sento-me no banco de madeira que havia ali na varanda, fico olhando a paisagem que iluminada pela luz da lua faz-me recordar momentos únicos que ali passei, olho para o lado do rio vem vindo alguém.

Vestindo roupa clara a pessoa foi se aproximando até chegou na frente da casa, eu agora debruçado sobre o parapeito da varanda, a pessoa então me cumprimenta.

- Boa noite! Eu então respondi.

- Boa noite!

- Não está me reconhecendo?! Diz o recém chegado.

- Não... Não estou... Quem é você?!

- Eu sou o seu primo Jack!

- Jack! Oh rapaz! Mas como me reconheceu? Faz tempo que não nos falamos, e além do mais, onde estou está sombra...

- Eu sou bom fisionomista rá, rá, rá, rá rá! Ri o recém chegado.

- Está bem, mas onde está todo mundo?

- Ah! Estão numa festa de casamento...

- Você não quis ir também?

- Eu estou vindo de lá!

- Foi bom ter chegado, eu estou aqui sozinho faz tempo!

- A chave está de baixo do caqueiro maior, pega e abre a porta.

- Está bem.

Levanto o caqueiro e pego a chave, pego na mochila uma lanterna a pilha que tive o cuidado de trazê-la, pois sabia que ali no sítio não tinha luz elétrica; abro a porta ligo a lanterna e vejo, que tem um lampião a gás pendurado no meio da sala, chamo o Jack, mas ele continua recostado no esteio da varanda, logo depois ele passa e entra num dos quartos que ficava logo ali na sala, e deita numa cama; eu então chamo por ele que já está quase dormindo e ofereço-lhe um maço de cigarros, mas ele se recusa dizendo que faz um ano que deixou de fumar, eu então recosto num sofá e sou vencido pelo sono; acordo com pessoas conversando alto e dando risadas, era o pessoal que acabavam de chegar da festa.

Contentes me abraçaram, perguntaram pelos meus familiares, perguntaram como eu consegui entrar na casa, eu então lhes contei quem me ensinou onde ficava a chave, quando eu falei no primo Jack, uns olharam para os outros e ficaram calados, eu então falei.

- O que, que há gente?! Até parece que eu falei de um fantasma... Ele continua ali no quarto ao lado! Foi então a vez da minha tia falar.

- Filho, o Jack já não está mais conosco! Faz um ano que ele morreu... Pode acreditar! Foi picado por uma cascavel logo ali na beira do rio.

Eu então gelei ao ouvir esta afirmação; mas por conta da curiosidade fui até o quarto onde o Jack dormiu; ele não estava mais lá.

Volto para a sala e exijo que me dêem uma prova.

Minha tia vai até o quarto e me traz varias fotos do enterro do Jack, eu então mais assustado fiquei, pois eu tinha certeza que eu não tinha sonhado, mas percebi que tudo o que eu dissesse a respeito do primo Jack, seria motivo para que todos me achassem louco.

Então mudei de assunto e passei a falar da viagem, pedi ao meu primo para ir comigo buscar o restante das coisas que deixei na velha casinha da beira da pista, ele se prontificou a ir comigo, na bagagem eu trouxe presentes para todos, curti umas férias maravilhosas! Mais ou menos como eu havia planejado. E nunca mais voltei a encontrar com o primo Jack.

= FIM. =

 







 

 

  

 

Antonio Hugo
Enviado por Antonio Hugo em 13/08/2007
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