Antonio Hugo

Ser romântico, é ter a certeza, de que vale a pena amar; amar a todos, e a tudo o que for bom.

Textos






“PRINCESINHA DO AGRESTE PARTE 1”.

          (Cordel).

        (43 estrofes).
1º.

Princesinha do agreste

Moça prendada e bonita,

Seus cabelos volumosos

Prendia um laço de fita

Seu nome de batizado

Chamava Maria Rita.

 

2º.

Filha de um coronel

Famoso na região,

Que por seu jeito bondoso

Chamava muita atenção

Era muito respeitado

Por toda população.

3º.

Seu pai ficara viúvo

Quando ainda pequenina,

Criada pela madrasta

Aquela doce menina

Começou sofrer bem cedo

Pra cumprir a sua sina.

4º.

A moça era pacata

Quase nunca passeava,

Por ordem de sua madrasta

Saía pouco de casa

Cujo nome da madrasta

Era Joaquina Tomasa.

5º.

Era muito maltratada

Porem seu pai não sabia,

Ela sofrendo ameaças

Para o seu pai não dizia

Grande amor na sua vida

Era só na fantasia...

6º.

Pensava na sua mãe

Que já no mundo dos mortos,

Enclausurada no quarto

Que ficava lá no Sóton

Conhecia a sua mãe

Do velho álbum de fotos.

7º.

Um dia a sua madrasta

Precisou se ausentar,

A chamado do seu pai

Que mandara lhe buscar

Para fechar um negócio

Ela tinha que assinar.

8º.

Maria Rita pensou

Enquanto ela se afasta,

Nem que seja por um dia

Pois esse dia me basta

Eu vou fugir desta casa

Pra longe desta madrasta.

9º.

Ela abriu o seu armário

E pegou uma das colchas,

Colocou o que podia

Fez uma espécie de trouxa

Pegou uns poucos trocados

Que tinha na sua bolsa.

10º.

Tinha que agir na espreita

Pra ninguém vê-la sair,

Olhou pra todos os lados

Não tinha ninguém ali

Sabia que ia embora

Mas não tinha pra onde ir.

 

11º.

Pegou uma velha canoa

Que estava presa no rio,

Deu uma olhada em volta

Pra ver se alguém lhe seguiu

Como não viu ninguém perto

Foi navegando no rio.

12º.

Passou o dia remando

No sentido rio abaixo,

Com um chapéu na cabeça

Vestida em roupas de macho

Quando foi no fim do dia

Ela encostou num riacho.

13º.

Deixou a velha canoa

Cair numa cachoeira,

Ela desceu pela margem

Pisando na ribanceira

Depois seguiu caminhando

Por baixo das bananeiras.

14º.

Tirou as roupas de homem

E trocou por uma saia,

Amarrou lenço na cabeça

Calçou as suas sandálias

No caminho encontrou

Uma casinha de palha.

15º.

Bateu palmas várias vezes

Responder não escutou,

Tocou a porta se abriu

Sem cerimônia entrou

O casebre parecia

Com casa de pescador.


16º.

Estava ficando escuro

Ela abriu uma janela,

Olhou num canto da casa

Achou uns tocos de velas

Pendurada na parede

Tinha uma velha gamela.

17º.

Achou uma tampa de lata

Acendeu uma vela em cima,

Tudo aquilo era aventura

Pra aquela jovem menina

Parecia o seu destino

Traçando a sua sina.

18º.

Estava muito cansada

Improvisou uma cama,

Agora era andarilha

Não era mais uma dama

Dormiu vestida de saia

Pois não trouxe o seu pijama.

19º.

No outro dia bem cedo

Escutou uma algazarra,

Parecia um batalhão

Que estava vindo da farra

Escutou um bandolim

Que tinha som de guitarra.

20º.

Pela falha da janela

Ela viu uma multidão,

Pode ver dois animais

Puxando um carroção

Era um grupo de ciganos

Descendo o estradão.

21º.

A moça abriu a porta

Fez sinal para parar,

Perguntou pra uma jovem

Com quem podia falar

Veio uma anciã

Disposta a lhe escutar.

22º.

Na casa do coronel

Sua madrasta chegou,

O coronel veio junto

Logo em seguida gritou.

- Ou Ritinha minha filha!

- Desce seu pai já chegou!

23º.

O coronel sem resposta

Sua filha não descia,

Resolveu subir a escada

Pra ver o que acontecia

Ao chegar ao quarto dela

A cama estava vazia.

24º.

Chamou a sua mulher

Pra pedir-lhe explicação,

Se ela não estava ali

Onde estava ela então

A preocupação de pai

Já estava dando aflição.

25º.

Perguntou na vizinhança

Ninguém a viu naquele dia,

Era a primeira vez

Que isso acontecia

Restou somente esperar

Pra ver se ela aparecia.

26º.

No outro dia bem cedo

Ajuntou a peãozada,

Começou fazer as buscas

Seguindo todas pegadas

Temendo que sua filha

Tivesse sido roubada.

27º.

Foi ver a velha canoa

Que ficava lá no rio,

Ela não estava lá

Seu suor descia frio

Pra onde foi a Ritinha

Ninguém sabe ninguém viu.



Bem amigos e amigas, eu tentei publicar este cordel completo, mas o volume era grande demais, não deu, então estou publicando a segunda parte logo a seguir, abraços a todos! Até logo com a outra parte do cordel.










Antonio Hugo
Enviado por Antonio Hugo em 03/07/2007
Alterado em 03/07/2007
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