Antonio Hugo

Ser romântico, é ter a certeza, de que vale a pena amar; amar a todos, e a tudo o que for bom.

Textos








“ZECA E JANETE”.
      (Conto).


 
Zeca twist... Este era o apelido do rapaz; jovem bonito e apaixonado, por uma jovem também bonita, cujo nome era Janete. Zeca estava na fase de servir o exercito brasileiro, ele ficava os cinco dias no quartel e todas as sextas-feiras à noite ele vinha dormir e passar o fim de semana numa fazenda com alguns amigos que ali moravam.
Zeca era órfão de pai e mãe, da sua família só lhe restara um irmão e um tio, que raramente os via, ele gostava de passar os fins de semana nesta fazenda para ficar mais perto da sua amada Janete, porém o seu namoro não era bem visto pelo pai e mãe da jovem; a não aceitação do namoro pelos pais da moça tinha muito a ver com o apelido do rapaz... Acontece que, ele ganhou este apelido por caracterizar-se com uma moda usada nos anos sessenta, quando o twist dominava o ritmo da então famosa jovem guarda, usavam-se sapatos de saltos altos, cabelos longos, cinto largo e fivelão; pulseira e na fala muita gíria, daí o apelido “Zeca twist”.
Zeca encontrava a sua namorada sempre as escondidas, mas as coisas começaram a se agravarem, quando a moça passou a ser vigiada, até ser proibida a sair de casa para não encontrar com o seu namorado.
Janete queixava-se da dificuldade de encontrá-lo, por vezes o convidou para fugir... Mas o rapaz era sensato e pedia calma, na verdade ele também estava tentado a isso, mas não queria submetê-la a passar dificuldades por sua causa, até porque, ele sabia que não tinha para onde levá-la... Não tinha como sustentá-la, na verdade Zeca não era um vagabundo, mas o exercito lhe consumia todo o seu tempo, o pouco tempo que sobrava ele fazia alguns bicos, que lhe proporcionava comprar alguma coisa para o seu uso pessoal, sendo assim, não poderia arranjar um emprego enquanto não fosse liberado do serviço militar.
O tempo foi passando... Até que um belo dia, ele recebeu dispensa da corporação, Zeca então voltou correndo para a fazenda na esperança de encontrar com a sua namorada; mas ele não conseguia encontrar com ela, recebia alguns bilhetes dela por alguém de sua confiança, porém em vez de acalmá-lo, só aumentava a sua dor.
Zeca muitas vezes rodeava a casa de Janete na esperança de revê-la, ou até mesmo falar com ela, mas era em vão, se atirasse algo contra a janela outros poderiam escutar... Além disso, ele não sabia qual a janela do quarto dela, tudo isso era um tremendo obstáculo para os dois.
Zeca então se encheu de coragem, e num belo Domingo arriscou-se a ir à casa da sua amada, decidido falar cara a cara com o carrasco do pai dela, mas a resposta que teve foi um convite para que ele se retirasse.
O rapaz ficou visivelmente desiludido, ao voltar para a fazenda só tinha uma coisa em seu pensamento... O suicídio, era um dia de quarta feira, Zeca vestiu-se todo de verde; usando a farda do exercito com direito a coturno e boné, Zeca pegou um livro e sentou no alpendre da casa, visivelmente abatido passou toda manhã sentado ali, sem sequer dirigir uma palavra a alguém, o seu amigo Jurandir desconfiado do comportamento do Zeca, resolveu seguir todos os passos do rapaz pela casa, quando num dado momento, Zeca adentrou num depósito, que também era chamado de dispensa, lugar que servia para guardar coisas não mais usadas, seu amigo Jurandir entrou atrás, viu quando Zeca levava a boca alguma coisa para beber... Seu amigo desconfiou, por que beber alguma coisa ali e não na cozinha... Mas logo percebeu que, não era um copo nem uma caneca comum, que o Zeca tinha nas mãos, ele tinha nas mãos uma caneca de uma bomba de borrifar veneno em formigas! Jurandir correu ao encontro do Zeca e travou luta para tirar das mãos do amigo aquela caneca, mas o moço decidido a levar em frente o seu propósito, resistiu, levando na direção da boca do Jurandir a caneca, que continha um líquido branco, chegando sujar os lábios do rapaz, Jurandir se apressou em limpar os lábios com a camisa, tempo suficiente para o Zeca beber todo o liquido do recipiente, logo após correu para um dos dormitórios da casa e se deitou, imediatamente começou passar mal.
Jurandir desesperado não sabia o que fazer, olhou o amigo Zeca, que espumava e fazia caretas, Jurandir não sabia se ficava ao lado do amigo, ou saia para pedir socorro, mas voltando a lucidez, saiu correndo para frente da casa desesperado pedindo socorro, pouco depois a casa já estava cheia de gente, Jurandir dava explicações sobre o ocorrido, senhoras experientes colocavam garapa de açúcar na boca do Zeca, outras colocavam leite bem doce na boca do rapaz, logo chega alguém aconselhando a levá-lo ao posto medico da cidade, enquanto outros já improvisavam uma maca, enquanto isso Zeca a beira da morte pedia com gestos a presença da namorada, a moça por intuição saia correndo da sua casa sem saber de nada do que estava acontecendo, também não deu satisfação para ninguém, minutos depois ela já entrava porta adentro, na casa que o seu amado estava prestes a morrer.
Zeca por sua vez, fazia gestos para a moça com o dedo indicador, para que ela tomasse veneno também, na verdade ele propunha um pacto de morte, Janete prometia que, se ele morresse, ela também morreria.
Colocaram o Zeca deitado na maca e correram para a cidade, temendo não conseguirem chegar a tempo de salvar a vida do rapaz.
Pessoas que ficaram cuidavam de vigiar a moça de perto, para que ela não cometesse a mesma loucura que o seu namorado cometeu.
Ao chegarem com o rapaz no posto médico, foram feitos todos os procedimentos normais para envenenamento, alguns minutos depois o médico volta para dar noticias do rapaz, o médico tranqüiliza todos, dizendo que, por sorte o veneno era fraco, o rapaz estava salvo.
Todos ficaram aliviados por saberem que, haviam salvados uma vida, voltaram todos, pois o rapaz ficaria internado, voltaram felizes para dar à boa noticia para os que ficaram, e para a moça Janete não tentar nenhuma besteira.
Mesmo assim não afrouxaram a vigilância sobre a moça, houve quem pensasse que, depois do susto o pai da moça concordasse com a união do casal, ledo engano de quem pensou assim... Os pais dela agora arranjaram mais uma alegação para a antipatia que tinham pelo rapaz, queriam agora justificar que, aquele rapaz era um desequilibrado, portanto, não servia para a sua filha.
Os dias foram se passando, Zeca obteve alta e já podia voltar para casa, o médico receitou-lhe alguns remédios, que ele deveria comprá-los, porém o rapaz confessou não ter dinheiro para tal, o médico então doou alguns que tinha no ambulatório, Zeca pega os remédios e se vai, mas o rapaz não parecia nada feliz... O que parecia não querer mais viver; era exatamente assim o seu pensamento, ao se afastar do posto médico, Zeca quebrou duas ampolas das injeções que levava e bebeu, poucos minutos depois Zeca é encontrado caído na rua a beira da morte, Zeca é socorrido por pessoas e levado de volta ao local de onde saíra minutos atrás.
Novamente o mesmo médico esforça-se para não deixar o rapaz morrer, agora o médico se lamenta, por ter sido confiante e inocente, ele não se perdoava, por ter confiado remédios tão perigosos, nas mãos de um rapaz suicida.
Novamente Zeca é salvo pelas mãos do mesmo médico, só que, dessa vez ele teve que se recuperar ali mesmo internado.
Dias depois Zeca é liberado, mas alguém teve que vir buscá-lo e assinar um termo de responsabilidade para levar o rapaz.
Ao chegar na fazenda seu tio e seu irmão o levou para morar com eles, seu Raimundo tio do Zeca estava mortificado por não poder ajudar seu sobrinho com o seu problema amoroso, mas prometeu ajudá-lo a qualquer custo, e cumpriu a sua promessa; foram os três no meio da madrugada e conseguiram roubar a moça.
O pai da moça ao constatar que a sua filha havia fugido, decidiu que não tomaria nenhuma providência, deixando os seguirem em paz os seus caminhos.
                                           = FIM =






Antonio Hugo
Enviado por Antonio Hugo em 10/12/2008
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